Ela não o beijou. Não que ele tivesse tentado mas ela não o beijou.
Ela olhava fixamente para os olhos dele enquanto conversavam e driblava quem tentava interromper aquele momento. O mais estranho? Ele fazia o mesmo e mais: ele a abraçava. Todos que estavam em volta perceberam que tinha algo acontecendo e aos poucos foram indo embora achando que deviam dar privacidade a eles. E deviam? Talvez, pois se sentiram muito mais à vontade depois. O que será que isso significa? Essa pergunta não saía da cabeça dela. Será que ele também está sentindo isso? Outra pergunta que não a deixava em paz.
Depois de horas de conversa que pareceram só alguns minutos, eles se juntaram aos amigos que haviam ido embora, porém eles continuaram com os olhares. Foi uma troca de olhares intensa daquelas que sentimos a alma saindo de nosso corpo e indo à uma dimensão de sensações e sentimentos novos.
Não dava para negar, havia algo entre eles mas não faziam nada a respeito. O que logo foi foco de arrependimento quando ela, decepcionada pela falta de atitude dele, foi atravessar a rua para comprar uma cerveja, porém sua mágoa a cegou e um carro, loucamente acelerado, arrancou a alma do corpo dela. Quando ele viu aquela cena, ele foi correndo ao encontro dela e ao perceber que não havia o que fazer, apoiou sua cabeça em seu corpo e se pôs a chorar.
Naquele momento ele aprendeu que se arrepender daquilo que foi feito é melhor do que daquilo que não foi feito. Isso não vai traze-lá de volta, mas pode salvá-lo de outras maneiras. Ai se ele tivesse aprendido isso antes.. Duas vidas seriam metades e juntas seriam um amor inteiro.
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