domingo, 29 de janeiro de 2012

Ela.

Ela era linda, tinha cabelos castanhos e seus cachos caíam sobre seu ombro com a leveza de uma pena. Eu a observava há muito tempo, porém não o suficiente para ela reparar. Ela costumava rir quando ouvia um pássaro cantarolar e balançava a cabeça conforme o ritmo da canção. Algo aconteceu naquele dia, pois dessa vez dois pássaros se puseram a cantarolar e não via o movimento de seus lindos cachos os seguindo. Dois pássaros. Sim, dois. E hoje ela não os acompanhou. Dei um passo à frente pensando em perguntar o que houve, mas achei melhor não, afinal, ela não sabia que a observava e se soubesse, acharia que sou maníaco. Resolvi ir embora, pois não agüentava mais olhar para aqueles olhos verdes e não vê-los brilhar.

No dia seguinte fui procurá-la no mesmo lugar de sempre, mas não a vi. Lembrei do dia anterior e a preocupação veio me dizer que algo estava errado. Esperei por horas e nada dela aparecer. Foi assim por dias, até que um dia estava a caminho das minhas horas de espera de novo, combinei comigo que seria o último dia de espera. Esperei por horas e nada dela aparecer, de novo. De cabeça baixa fui indo em direção a minha casa quando um pássaro começou a cantarola. Parei, procurei esse pássaro e fiquei encarando-o. Alguns segundos depois, escutei um assobio seguindo a canção do pássaro.. Paro, sinto meu coração disparar e minhas mãos ficam, imediatamente, geladas. Olho para trás e lá está ela com um vestido branco, longo e seus inesquecíveis olhos verdes castanhos brilhando assim como seus cachos castanhos. Vejo essa imagem e esqueço para onde estava indo, me sento no banco ao meu lado e a observo. Dias e dias sem ter essa visão extraordinária. Senti falta.

Não me agüentei, fui atrás dela. Cheguei bem perto de seus cabelos e senti um cheiro de lavanda. Respirei fundo e a cutuquei. Ela se virou com uma feição calma, ela me olhou e perguntou o que eu desejava, minha vontade era responder que ela era meu desejo, que um desejo era de tê-la e não largá-la nunca mais, porém respondi:

- Vo..vo..você é linda.

Sim, eu gaguejei. Isso nunca tinha acontecido comigo. Logo eu que consigo controlar minhas emoções e não ser transparente, gaguejei na frente da beleza em pessoa. Sinto-me envergonhado, frágil e inútil. Eu poderia ter falado algo melhor, ela deve estar achando que eu sou um imbecil. ‘Você é linda’ ai Deus, faça com que ela esqueça o que eu disse. Surpreendi-me quando ela abriu um sorriso incrível que roubou todo meu ar. Ela agradeceu e perguntou se queria sentar ao lado dela no banco e não pude recusar.

Nos sentamos e ficamos apreciando a natureza e sua beleza. Conversamos sobre variados assuntos, rimos sobre diversas coisas e assim me senti completo. Quando percebemos já era noite, já estava escuro e essa escuridão trouxe um vento frio, ela se encolheu e podia ouvir seus dentes baterem uns nos outros. Tirei meu casaco e coloquei em seus ombros, ela olhou para mim e sorriu mais uma vez com aquele sorriso incrível que roubou todo meu ar novamente. Perguntei se ela queria que a levasse para casa, ela disse que não, que queria passar mais tempo comigo. Senti meu coração sair, dar uma volta e voltar. Disse que era melhor irmos para casa descansarmos e no dia seguinte iríamos nos encontrar aqui mesmo. Feito esse combinado, a acompanhei até sua casa e fui para a minha.

Quando me deitei não conseguia parar de pensar em outra coisa sem ser nela e no sorriso maravilhoso que estampava seu rosto. Quando, finalmente, consegui dormir sonhei com ela, na verdade, foi um pesadelo, pois nesse sonho, quer dizer, pesadelo, nós não conseguimos nos encontrar. Acordei nervoso, passei horas na cama esperando o despertador tocar e ir encontrá-la. O despertador tocou. Levantei correndo e fui me arrumar. Chegando ao nosso ponto de encontro a vi me esperando com aquele lindo rosto calmo que me tira o ar sempre que o vejo. Ela me viu e sorriu para mim e a parir daquele momento eu soube que ela era minha.

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